ESG no setor agroalimentar: como aprimorar práticas do agronegócio

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Você já deve ter se deparado com a sigla ESG (Environmental, Social and Governance). Se você quer entender o que ela quer dizer e o seu impacto no setor agroalimentar, você está no lugar certo!

Dada a importância do setor agroalimentar para o Brasil, vemos um aumento de iniciativas sendo formadas para que o setor cresça e se desenvolva de forma contínua e sustentável.

Além de que, no País, esse setor tem uma grande participação de exportação dos seus produtos, o que nos leva a uma demanda de controles mais rigorosos de processos produtivos.

Em 2020, alguns frigoríficos exportadores de carne foram cobrados para manter o controle registrado de todos os bovinos comprados. Isso para garantir que o animal não tivesse origem em uma área de desmatamento, prezando o meio ambiente e a sustentabilidade, fazendo com que a rastreabilidade de alimentos se tornasse uma prática para essas empresas.



O cenário de organizações que se preocupam com os pilares do ESG para a realização de negócios já é uma prática atual. Um evento importante que mudou a ótica do investimento em empresas que se importam com a sustentabilidade foi em 2020, quando a BlackRock, a maior empresa em gestão de ativos no mundo, anunciou que não faria mais negócios com organizações que não estivessem de acordo com os critérios ESG e que colocaria em prática os investimentos sustentáveis.

Assim como o grupo Business Roundtable, associação de diretores executivos das principais empresas da América do Norte, que divulgou uma carta questionando a ideia de que os negócios existem para dar retorno aos acionistas, argumentando que as empresas são agentes de transformação social, estabelecidas com o propósito de gerar valor para todas as partes interessadas.

É notável, também, a mudança do olhar do consumidor para o que estão consumindo. 

Muitos estão mais atentos ao que a marca está fazendo, como ela se posiciona no mercado, o que ela faz para colaborar com o meio ambiente, como ela é vista por seus funcionários, prezando sempre pela transparência nos seus atos. E todas essas questões estão relacionadas ao ESG! 

Como podemos ver, em um cenário global, critérios ESG vieram para ficar, e estamos aqui para te ajudar a entender mais sobre o tema.

Neste post você verá:

  • O que é ESG
  • Pilares do ESG
  • A relação entre ESG e agronegócio
  • ESG no agronegócio: quais ações devem ser tomadas;
  • Motivos para implementar o ESG no setor Agroalimentar;
  • Iniciando a implementação;
  • Como a tecnologia pode apoiar práticas ESG no agronegócio.


Primeiramente, o que quer dizer a sigla ESG

Do inglês, Environmental, Social and Governance, em português podemos encontrar como, ASG, Ambiental, Social e Governança.

A sigla traz três pilares que são um conjunto de práticas que devem ter a sua visibilidade e sua importância dentro de todas as empresas, não apenas no agro. 

As temáticas de cada pilar são recomendações da Sustainability Accounting Standards Board (SASB). Trata-se de uma organização sem fins lucrativos que desenvolve padrões de contabilidade de sustentabilidade, com a missão de estabelecer padrões de divulgação específicos do setor em tópicos ESG. 

O objetivo é facilitar a comunicação entre empresas e investidores sobre informações financeiras relevantes e úteis para decisões.

Porém, o termo foi apresentado em 2004 em uma publicação do Pacto Global em parceria com o Banco Mundial, chamada Who Cares Wins. Esses critérios estão totalmente relacionados aos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS) da ONU.


Pilares do ESG

Os três pilares do ESG fazem as empresas pararem e analisarem qual o impacto das mesmas para o planeta. São pontos que demonstram o quanto elas contribuem para a comunidade onde estão instaladas e como seus negócios são conduzidos.

Abaixo, você pode conferir cada um deles e os seus desdobramentos. 


Ambiental

O pilar Ambiental traz pontos de como uma empresa pode reduzir o impacto ambiental que ela gera:

- Diminuição da emissões de Gases de Efeito Estufa (GEE)

Busca diminuir a emissão de gases como Dióxido de Carbono (CO2), Metano (CH4) e Óxido Nitroso (N2O), que fazem a temperatura média terrestre subir. Reduzi-los implica no controle do aquecimento global.

- Gestão de Resíduos

Conjunto de procedimentos e ações que visam otimizar etapas de armazenamento, coleta, tratamento, transporte, destinação e disposição final dos resíduos produzidos por processos industriais.


- Gestão de Energia

Busca por métodos mais sustentáveis e menos poluentes de energia.


- Diminuição do Desmatamento

Visa práticas sustentáveis e necessárias para conter o desmatamento.


- Conservação do Solo

Conjunto de princípios e técnicas agrícolas que visam o manejo correto das terras cultiváveis, evitando a erosão em todas suas formas.

- Gestão de Recursos Hídricos

Procura cuidar da origem e destino dos recursos hídricos utilizados na produção do alimento.

- Conservação da Biodiversidade

Assegurar a diversidade de organismos vivos, incluindo os ecossistemas terrestres e aquáticos.


Social

No Social, as temáticas tratam pontos a respeito do capital social da empresa, com iniciativas de bem-estar de profissionais e fornecedores,  como:


- Direitos Humanos

Conhecer e respeitar os Direitos Humanos.

- Relações com a Comunidade

Respeitar a comunidade em que estamos inseridos.

- Privacidade do Cliente e Segurança de Dados

Prezar pela privacidade dos dados dos seus clientes e colaboradores, respeitando leis como a Lei Geral de Proteção de Dados Pessoais (LGPD).

- Acesso e Acessibilidade

Pensar nas condições para utilização, com segurança e autonomia, total ou assistida, de todos.

- Igualdade de Gêneros

Ambiente livre de preconceitos e discriminações.


Governança

Já a Governança traz pontos de melhores prática de gestão e ética empresarial, como:


- Comportamento Competitivo

Busca pela melhoria contínua visando crescimento de resultados.


- Gestão do Jurídico e Ambiente Regulatório

Ambiente que concilie a saúde econômico-financeira das empresas com as expectativas e exigências do mercado.


- Gestão sistêmica de riscos

Gestão de riscos e compliance.


- Transparência

Acessibilidade às informações institucionais referentes a assuntos que afetem seus interesses (stakeholders). 


A relação entre ESG e agronegócio

O Brasil é destaque entre os players mundiais do agronegócio. Nosso País é líder em produção e exportação de diversas commodities agropecuárias. 

Ademais, previsões do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa) indicam que, até 2030, a produção do agronegócio deve crescer cerca de 20%

Este é o ponto em que atributos de ESG se tornam indispensáveis para que o setor prospere, pois espera-se cada vez mais que isso aconteça com sustentabilidade e ética

Segundo informações apuradas pela PwC, por exemplo, o tema governança e gestão é o segundo principal gargalo da produção agrícola no Brasil. 

Isso indica o quanto ainda temos que evoluir nesse sentido.

A competitividade global impõe desafios que podem ser transformados em oportunidades, como:

  • a mudança de comportamento do consumidor, que exige cuidados com o meio ambiente;
  • aperfeiçoamento de infraestrutura e logística;
  • transformação digital dos processos

Os negócios orientados por essas três perspectivas certamente estarão aptos a receber atenção de investidores estratégicos e irão conquistar um destaque maior no mercado. 


ESG no agronegócio: quais ações devem ser tomadas

Retomando alguns aspectos que abordamos há pouco falando sobre os pilares, podemos chegar a algumas sugestões do que deve ser feito para aplicar tais diretrizes no cotidiano de empresas e indústrias, garantindo o ESG no setor agroalimentar.

Vamos a elas!


Identificar os riscos críticos

Antes de mais nada, é necessário analisar as rotinas e identificar quais são os fatores que, a curto e médio prazos, podem ser críticos à produção

Por exemplo: o aumento de um cultivo demanda mais água e energia. Em vez de gastar dinheiro em contas mais caras, uma boa saída é investir em fontes renováveis para obter esses recursos. 

Fazer o mapeamento dos processos, compreender a realidade de um negócio em sua totalidade e trabalhar com projeções a médio e longo prazos são iniciativas bem-vindas nesse ponto!


Transparência em toda a cadeia de suprimentos

Não são apenas os produtores que devem se preocupar com aspectos de ESG na cadeia agroalimentar. Pelo contrário! O compliance ambiental é responsabilidade de toda a cadeia de suprimentos.

Afinal, se todos tiverem valores ambientais e sociais como critério de escolha, o movimento por mudanças se torna maior e mais rápido. E, com isso, todos saem ganhando!

Por essa razão, apostar em rastreabilidade e entender se todos os elos com os quais seu negócio se relaciona (varejo, distribuidores, fornecedores e indústrias) valorizam atitudes nesse âmbito, por exemplo, é um passo fundamental.


Monitoramento de indicadores e gestão responsável

A  mentalidade das camadas de liderança deve estar voltada ao impacto positivo de iniciativas de ESG no agronegócio. Inspirar a cadência das práticas e ter abertura para viabilizar investimentos nessa frente é primordial para agilizar mudanças.

Estabelecer metas e contar com soluções de tecnologia que favoreçam o acompanhamento de indicadores e a performance das ações é outro ponto de execução que pode fazer toda diferença!


Investir em tecnologia e modernização

Protocolos nacionais e internacionais estão em constante atualização, e a cada dia mais rigorosos com controle dos alimentos. 

Para obter certificações de qualidade e segurança e, consequentemente, seguir padrões que atendam princípios ESG, você e sua equipe precisam estar atentos a uma série de detalhes. 

A maneira mais apropriada de contar com procedimentos que se adequem a padrões de excelência e eficiência operacional para fazer as devidas verificações é a digitalização de procedimentos

Estamos nos referindo a casos como auditorias, fichas técnicas e outros registros digitais que podem garantir dados qualificados e transparentes em toda a cadeia agroalimentar. 

Isto é: a recomendação vale tanto para propriedades rurais quanto para indústrias e supermercados. Com maior controle e assiduidade, é possível ajustar processos e encontrar novas oportunidades de redução dos impactos socioambientais


Motivos para implementar o ESG no setor Agroalimentar

Em uma pesquisa da Associação Brasileira do Agronegócio (Abag) sobre Inovação e Competitividade do Agronegócio, feita em 2020, foram destacados pontos dos principais desafios para a competitividade do agronegócio, em primeiro lugar, veio a infraestrutura do país e em segundo lugar, a governança e gestão.

Além disso, como já mencionado, a exportação de produtos do Agro no Brasil tem uma grande relevância na balança comercial do país. Com isso, tem-se a grande responsabilidade de entregar produtos seguros e de qualidade para os importadores

Ter boas práticas bem estabelecidas, como o ESG, é essencial para a negociação, para demonstrar que a empresa exportadora se importa tanto com os padrões mundiais, quanto com os padrões estabelecidos pela própria importadora.

Outro fator que é muito falado e muito relevante para a implementação do ESG é para conseguir acesso a investimentos. Investidores estão de olho nas empresas que prezam por todos os pontos do ESG, porque sabem que essas empresas vão prosperar no mercado.

Em uma pesquisa apresentada pela PwC Brasil, 47% dos respondentes afirmam que o acesso às informações de ESG é tão importante quanto informações financeiras da empresa.

Ou seja, por enquanto, podemos tratar o ESG como um diferencial. Mas, em breve, ter as boas práticas implementadas será essencial — como já é para a BlackRock.


Como a tecnologia pode apoiar práticas ESG no agronegócio

Bom, acreditamos que agora você já tenha compreendido a  importância e a visibilidade que a implementação das práticas ESG trará para sua empresa agroalimentar.

Mas, você pode estar se perguntando como demonstrar para clientes e investidores que essas práticas estão sendo bem seguidas pela sua empresa.

Para que isso aconteça, manter rotinas de monitoramento em todos os processos da sua empresa é essencial. Desde a compra ou a produção do alimento, lá no campo, até registros dos processos da gestão da qualidade dos seus produtos e processos. Ou seja, um monitoramento das origens e insumos das origens. 

Assim, o cliente saberá todo o caminho que o produto percorreu e terá acesso à documentação de históricos e aos registros da sua empresa.

Desta maneira, para uma implementação eficiente dessas boas práticas, você pode começar a focar na transparência de todos os seus processos, estabelecendo o rastreamento e registros de todas as suas ações.

Construa políticas internas para te auxiliar e dar um norte a você e aos seus colaboradores para buscar as melhores práticas dentro da sua empresa. Entenda quais são as causas sobre as quais você quer se posicionar e se atente a elas.

Audite seus fornecedores para ver se eles também estão de acordo com as suas necessidades. E esteja pronto para também ser auditado, quando necessário, com todos os registros e históricos que comprovem que você está atento às boas práticas do ESG.


O papel de tecnologias de rastreabilidade e verificações digitais

Uma boa estratégia para iniciar práticas de ESG no setor agroalimentar é apostar na digitalização a seu favor, com softwares que armazenam seus históricos de compras e transações. Aplicar métodos de rastreabilidade dentro do seu negócio é outra iniciativa importante.

Saiba aqui tudo sobre a Rastreabilidade de Alimentos e como ela pode ajudar o seu estabelecimento na busca pela transparência de processos.

A tecnologia aprimora a qualidade dos dados e contribui para uma característica condicionante para o êxito de qualquer programa de ESG: a transparência. Aliás, você pode notar quantas vezes usamos essa mesma palavra ao longo do texto, não é mesmo?

E, já que entramos no assunto, queremos apresentar o Rastreador Paripassu, nossa solução  destinada a trazer agilidade e legitimidade à implementação de práticas de ESG, com funcionalidades como:

  • geração de códigos de rastreabilidade para produtos, seguindo a legislação INC 02/18;
  • compatibilidade para impressão de etiquetas cumprindo padrões legais de identificação;
  • disponibilidade de informações dos produtos para todos os elos da cadeia;
  • possibilidade de receber avaliações e comentários dos consumidores;
  • geolocalização dos produtos;
  • gestão de certificados e auditorias de forma automatizada.


A aceitação em 100% do varejo nacional faz com que o Rastreador Paripassu incentive um bom relacionamento entre fornecedores, pontos de venda e clientes finais. 

No quesito transparência, o Rastreador é uma tecnologia que valoriza e traz visibilidade às práticas de ESG. Ele armazena as informações de toda a jornada do alimento, desde a saída do campo até a mesa do consumidor

Os registros de origem e destino de cada lote também facilitam processos de recall e a adequação total às legislações vigentes, o que faz parte do escopo de atitudes alinhadas aos princípios ESG. 

Para finalizar, a solução reduz quebras e rupturas de gôndola, uma vez que os processos de envio e recebimento de produtos, controles de entrada, preços de compra, venda e descarte podem ser melhor gerenciados pelo sistema.

Entenda melhor no vídeo abaixo!


Um sistema como esse fornece visibilidade às informações de que você e sua equipe precisam para tomarem decisões, buscarem inovações e efetivarem os devidos ajustes com base em  legislações vigentes!

Depois de ter percebido a importância da temática e como os pilares do ESG podem ser uma grande oportunidade para melhoria de processos agropecuários do Brasil e para o seu negócio, que tal ir mais a fundo no tema? 

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