Descomplicando as Boas Práticas de Fabricação – BPF

Está sem tempo? Escute este áudio post e fique por dentro do assunto!

Você acompanhou casos de fiscalização de alimentos. Lembra da operação “Hora do Lanche” que envolveu fornecedores de merenda escolar? E da operação “Pão na Chapa”, em que foram descartados quase 76 kg de produtos em padarias? Sem falar da “Carne Fraca”, que investigou adulterações nas carnes e derivados. Tudo isso nos últimos 5 anos!

Você sabe o que todos esses casos têm em comum? Nessas operações é verificado o cumprimento das Boas Práticas de Fabricação (BPF), exigidas pela legislação.

Por exemplo, se ao adquirir uma roupa de má qualidade o cliente pode ficar insatisfeito, quando se trata de alimentação, o que está em jogo é a sua saúde. Por isso, atenção dobrada!

A implementação das BPF é fundamental para garantir a qualidade das operações internas e oferecer produtos seguros ao consumidor, envolvendo desde os cuidados para iniciar o projeto de instalações até a saúde dos funcionários.

Se você atua na cadeia produtiva de alimentos e ainda possui dúvidas a respeito das BPF, não deixe de ler esse post!

O que são as Boas Práticas de Fabricação?

As Boas Práticas englobam um conjunto de medidas que devem ser aplicadas em toda a cadeia produtiva de alimentos com o intuito de garantir a segurança sob o ponto de vista das condições de higiene.

Checklists de verificação periódica, instruções de trabalho e procedimentos operacionais padrão (POP) fazem parte das BPF. Sua implementação evita, por exemplo, a propagação de doenças que poderiam ser transmitidas pelos alimentos.

Em linhas gerais, o conceito se baseia no controle do que é produzido e entregue aos clientes, sendo dividido em: instalações industriais; pessoal; operações; controle de pragas; controle da matéria-prima; registros e documentação; e rastreabilidade.

Se você está se perguntando se existem leis que exigem a implementação das Boas Práticas de Fabricação, a resposta é sim!

Ter a BPF implementada significa atender às legislações:

  • Portaria SVS/MS n° 326/97 se baseia nos “Princípios Gerais de Higiene dos Alimentos” do Codex Alimentarius, que estabelece os requisitos gerais das condições de higiene sob o ponto de vista sanitário e de Boas Práticas de Fabricação para produtores e indústrias de alimentos;
  • Resolução RDC n° 275/2002 é um ato normativo complementar à Portaria SVS/MS n° 326/97 e introduz o controle contínuo dos Manuais e o seu conteúdo, promovendo a harmonização das inspeções sanitárias;

Atenção! A ausência ou não adequação das Boas Práticas de Fabricação podem levar a consequências que vão desde advertências e multas até o cancelamento do alvará de licenciamento do estabelecimento.

O desenvolvimento do manual de BPF deve retratar a realidade do estabelecimento, levando em consideração os seguintes pontos:

  1. Responsabilidades: Tenha uma equipe dedicada à gestão da qualidade para garantir o cumprimento dos itens descritos no manual. Com a capacitação e comprometimento de todos, consolida-se a cultura de qualidade na empresa.
  2. Instalações e equipamentos: Estabeleça padrões seguros de higiene e frequência de limpeza de acordo com o seu segmento.
  3. Manutenção preventiva e calibração de equipamentos: Descreva as práticas de manutenção com o intuito de evitar falhas.
  4. Manejo dos Resíduos: Defina a sistemática de separação entre resíduos recicláveis e orgânicos de acordo com a legislação aplicável à sua empresa.
  5. Controle de pragas: Estabeleça medidas preventivas e corretivas para prevenir a atração, acesso e abrigo de pragas.
  6. Controle de água e energia: Implemente controles para evitar a contaminação de produtos, incluindo análises de potabilidade da água, higienização da caixa d’água e instalação de luminárias com proteções contra quedas e explosões.
  7. Operação: Tenha procedimentos detalhados para cada operação que possa interferir direta ou indiretamente na qualidade do produto final – recebimento, armazenamento, descongelamento, manipulação e distribuição.
  8. Seleção de matérias-primas, ingredientes e embalagens: Saiba a procedência dos alimentos comercializados e avalie sua qualidade.
  9. Controle de qualidade: Invista em métodos de produção e controle dos padrões de qualidade.
  10. Higiene pessoal e saúde dos colaboradores: Instrua os colaboradores sobre frequência de higienização das mãos, uniformes e exames necessários.
  11. Rastreabilidade e recall: Controle todas as etapas da sua cadeia de suprimentos, fornecendo informações fundamentais para análise e gestão de riscos.

Se até aqui você já percebeu que a implementação das Boas Práticas de Fabricação ajuda a manter os clientes atuais e atrair novos através da segurança do produto, você está no caminho certo!

Já dizia a lei da física: toda ação gera uma reação de igual intensidade. Nenhuma empresa está a salvo de ser trocada pelos clientes se não estiver preocupada com a qualidade das suas entregas.

Um dos principais motivos pelos quais os clientes trocam de empresa é a má qualidade do produto ou do serviço. A não implementação das BPF pode acarretar justamente esta percepção: problemas com a qualidade!

Como consequência da falta de controle, ocorrem contaminações em produtos, gastos desnecessários com não conformidades e dificuldade de seguir orientações por parte dos colaboradores.

Tenha em mente que se você oferecer um produto seguro vai resultar na satisfação do cliente. Nunca deixe para depois a qualidade de produto que você pode alcançar hoje!

Vantagens

Algumas empresas ainda não adotaram as BPF ou não as atualizam de acordo com as mudanças da sua cadeia produtiva. Questione-se para saber se você está neste cenário.

Qual garantia você oferece aos seus clientes em relação aos processos realizados? Você consegue descrever o papel de cada colaborador na sua empresa para assegurar a segurança do alimento?

A falta de informações sobre as vantagens que o programa traz é a principal razão para muitas empresas estarem nesse contexto.

Não faça parte deste grupo! Entenda como a implementação das BPF pode ajudar você:

  • Melhoria da imagem da empresa e competitividade no mercado: Mostra que a empresa se preocupa com a segurança do alimento e toma medidas para a sua garantia.
  • Melhor controle de parâmetros de processo e produto final: O controle de qualidade é mais efetivo quando envolve as operações, como práticas de inspeções, desde a matéria-prima até o produto acabado.
  • Produto com qualidade melhor, constante e mais seguro: É assegurada a padronização da cadeia produtiva, resultando na garantia da segurança sanitária do produto, uniformidade e diminuição de carga devolvida.
  • Ambiente de trabalho mais limpo e seguro: Garante a organização e bem-estar dos funcionários e previne contaminações dos seus produtos.
  • Aumento da vida útil do produto: A detecção de fatores que estejam afetando a duração dos produtos é mais assertiva.
  • Preservação da saúde dos funcionários: Estabelece procedimentos de higiene fundamentais para a manipulação do alimento, como higienizar os recipientes e conservar os produtos, garantindo não somente a segurança do alimento mas também do funcionário.
  • Redução de custos: Cria-se um controle de entrada e saída de produtos e insumos, evitando o desperdício de alimentos e dinheiro.
  • Atendimentos das leis vigentes: A ANVISA é responsável pela fiscalização e tem como base a legislação sanitária do governo federal. As BPF podem ser utilizadas nas inspeções sanitárias para comunicação do início de fabricação de produto dispensado da obrigatoriedade de registro e solicitação de licença sanitária.

Por onde começar?

1.Faça um diagnóstico

Realizar um diagnóstico através de uma pré-auditoria com o uso de um checklist é essencial para levantar as condições higiênico-sanitárias do estabelecimento.

O diagnóstico contribui para uma melhor tomada de decisão e define o roteiro geral para a elaboração do Manual de Boas Práticas de Fabricação. Você terá uma visão clara, simples e precisa do que precisa ser realizado.

Como resultado da pré-auditoria, tem-se um relatório de não-conformidades e as ações corretivas que devem ser adotadas para adequar a empresa.

Com a análise em mãos você já pode iniciar o desenvolvimento do seu Manual de Boas Práticas de Fabricação.

2. Elabore o seu Manual de Boas Práticas de Fabricação

A estruturação do Manual de BPF deve ser realizada por profissionais especializados no controle de qualidade de alimentos. As ações corretivas são executadas com a empresa de acordo com as exigências da legislação.

Quer saber o que você precisa incluir no seu manual de BPF? Fale com um de nossos especialistas e tire suas dúvidas.

Responsabilidade

Todas as normas sanitárias que fazem parte das BPF foram estabelecidas para que o consumidor tenha uma garantia do que está comprando e consumindo. Respeitar as normas é fundamental para que a empresa ofereça produtos seguros e de boa qualidade.

Garantir a segurança do alimento através do controle das condições de higiene de produtos e processos leva a satisfação não só dos consumidores, como também torna o trabalho dos colaboradores mais fácil.

As decisões que você toma são fundamentais para o seu reconhecimento no mercado e você já viu como é fácil produzir um produto seguro de forma mais eficiente que os seus concorrentes com a implementação das Boas Práticas.

Neste contexto, o desafio de adotar as BPF será uma questão, não só de cumprimento da legislação, mas de fazer a diferença.

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