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Boas Práticas de Fabricação: tudo o que você precisa saber

Se você quer saber o que são as Boas Prática de Fabricação (BPFs), quais são as legislações que as envolvem e como aplicá-las, este post foi feito para você!

Prefere escutar o conteúdo? Clique no player abaixo e aproveite:

A implementação das BPFs é fundamental para promover a qualidade das operações internas e dos produtos de empresas da cadeia agroalimentar, garantindo segurança ao cliente final. 

As diretrizes vão desde o projeto das instalações industriais, passando pelas condições dos insumos e pela saúde dos funcionários. É preciso seguir tudo com muito critério, pois qualquer descuido pode ocasionar sérios transtornos a saúde dosconsumidores.

Em 2022, por exemplo, um relatório da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (ANVISA) apontou aumento de 21% nas notificações de eventos adversos relacionados ao consumo e segurança de alimentos industrializados. O índice passou de 60% do total de ocorrências em 2021 para 80% em 2022.

Como consequência, no primeiro semestre do período avaliado, 66% das notificações, os consumidores apontaram sinais e sintomas gastrointestinais associados ou isolados avaliados clinicamente. 

Evitar inconformidades, portanto, é uma questão de saúde pública. Se você atua na cadeia produtiva de alimentos e ainda possui dúvidas a respeito das BPF, não deixe de ler este post e aproveite as dicas da PariPassu para aprimorar sua operação!

O que são as Boas Práticas de Fabricação?

As Boas Práticas de Fabricação englobam um conjunto de medidas que devem ser aplicadas em toda a cadeia produtiva de alimentos, com o intuito de garantir a segurança sob o ponto de vista das condições de higiene e manipulação de insumos.

Fazem parte das BPFs checklists de verificação periódica, instruções de trabalho, Procedimentos Operacionais Padrão (POPs) e inspeções de qualidade. Sua implementação tem a finalidade de prevenir, ou deixá-los a níveis aceitáveis, perigos biológicos, químicos e físicos nos alimentos.  

Em linhas gerais, o conceito se baseia no controle do que é produzido e entregue aos clientes, sendo aplicável a: 

  • instalações industriais; 
  • equipes; 
  • processos e operações; 
  • controle de pragas; 
  • controle da matéria-prima;
  • relacionamento com fornecedores
  • embalagens;
  • registros e documentação; 
  • rastreabilidade.

Se você está se perguntando se existem  leis que exigem a implementação das Boas Práticas de Fabricação, a resposta é sim!

Legislação relacionada às BPF

Existem leis nacionais e internacionais que orientam a fabricação de alimentos. No Brasil, essencialmente, as normas de fiscalização são regidas pela ANVISA. 

Portanto, as BPF implementadas devem atender às seguintes legislações:

  • Portaria SVS/MS n.° 326/97: baseia-se nos “Princípios Gerais de Higiene dos Alimentos” do Codex Alimentarius, que estabelece os requisitos gerais das condições de higiene sob o ponto de vista sanitário e de Boas Práticas de Fabricação para produtores e indústrias de alimentos;
  • Portaria MAPA n.º 368/1997: fala sobre padrões e processos de elaboração de produtos de origem animal;
  • Resolução RDC n.° 275/2002 (ato normativo complementar à Portaria SVS/MS n° 326/97): introduz o controle contínuo dos Manuais e o seu conteúdo, promovendo a harmonização das inspeções sanitárias;
  • Portaria MS n.° 1.428/93: estabelece as diretrizes para o estabelecimento das BPF na área de alimentos.

É importante destacar que as leis citadas acima são federais, e que estados e municípios podem apresentar legislações específicas. Portanto, é essencial ficar atento a isso, pois elas também devem ser seguidas. 

Atenção: a ausência ou não adequação das Boas Práticas de Fabricação podem levar a consequências que vão desde advertências e multas até o cancelamento do alvará de licenciamento do estabelecimento, como veremos mais adiante!

Para que servem as Boas Práticas de Fabricação?

Seguir essas regras com consistência é o caminho para que sua indústria produza alimentos com segurança, mantendo o padrão de qualidade dos seus produtos. Sendo assim, a implementação das Boas Práticas de Fabricação ajuda a manter seus atuais clientes e atrair novos

Além disso, adequar processos a essas condições é fundamental para fortalecer sua marca e aumentar a vantagem competitiva frente à concorrência. Afinal, nenhuma empresa está a salvo de ser trocada se não estiver preocupada com a qualidade das suas entregas. 

Como já falamos anteriormente, há sérios riscos relacionados à saúde quando não há rigor durante a manipulação de alimentos. Os prejuízos à credibilidade ocasionados por qualquer deslize nesse sentido podem ser incalculáveis.

As implicações da falta de controle de segurança e qualidade nas rotinas são: 

  • considerável elevação do risco de contaminações em produtos;
  • gastos desnecessários com não conformidades;
  • dificuldade para orientar os colaboradores;
  • ações de recall de alimentos.

Tenha em mente que, se você oferecer um produto seguro, isso vai resultar na satisfação do cliente. Então, nunca deixe para depois a qualidade de produto que você pode alcançar hoje!

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Quais são as 11 diretrizes básicas de um manual das Boas Práticas de Fabricação?

A melhor forma de incorporar requisitos de higiene e qualidade aos processos industriais é documentando todas as orientações a serem seguidas. Por isso, elaborar um manual é um mecanismo muito comum!

Entenda quais pontos você deve considerar para criar o manual da sua indústria, levando em consideração a realidade da sua empresa. 

  1. Responsabilidades: indique os deveres da equipe dedicada para a gestão da qualidade e o cumprimento dos itens descritos no manual. Com a capacitação e comprometimento de todos, consolida-se a cultura de qualidade na empresa;
  2. Instalações e equipamentos: estabeleça padrões seguros de higiene e frequência de limpeza de acordo com o seu segmento;
  3. Manutenção preventiva e calibração das máquinas: descreva as práticas de manutenção com o intuito de evitar falhas;
  4. Manejo dos resíduos: defina a sistemática de separação entre resíduos recicláveis e orgânicos de acordo com a legislação aplicável à sua empresa;
  5. Controle de pragas: estabeleça medidas preventivas e corretivas para prevenir a atração, acesso e abrigo de pragas;
  6. Controle de água e energia: implemente medidas para evitar a contaminação de produtos, incluindo análises de potabilidade da água, higienização da caixa d’água e instalação de luminárias com proteção contra quedas e explosões;
  7. Operação: tenha procedimentos detalhados para cada operação que possa interferir direta ou indiretamente na qualidade do produto final – recebimento, armazenamento, descongelamento, manipulação e distribuição;
  8. Seleção de matérias-primas, ingredientes e embalagens: saiba a procedência dos alimentos comercializados e avalie sua qualidade;
  9. Controle de qualidade: invista em métodos de produção e controle dos padrões de qualidade;
  10. Higiene pessoal e saúde dos colaboradores: instrua os colaboradores sobre frequência de higienização das mãos, uniformes e exames necessários;
  11. Rastreabilidade e recall: controle todas as etapas da sua cadeia de suprimentos, fornecendo informações fundamentais para análise e gestão de riscos.

Quais os riscos de não seguir as Boas Práticas de Fabricação

Informe-se a seguir sobre as consequências que podem ser enfrentadas pela sua indústria com a ausência de processos alinhados às BPF.

Penalidades previstas em lei

As indústrias de alimentos que não seguem as normas previstas pela regulação de alimentos estão sujeitas a multas, suspensão das atividades e, em casos mais críticos, ao embargo e fechamento da empresa.

Perda de espaço para a concorrência

Qualquer episódio que coloque em questionamento a qualidade ou a segurança dos alimentos produzidos pela sua indústria podem ser motivo para desfavorecer sua marca em comparação a uma concorrente. 

Rejeição do público

A repercussão da má qualidade de um produto pode tomar grandes proporções em questão de minutos. 

Com as redes sociais e as avaliações publicadas na internet, um deslize nos controles dos seus processos de fabricação pode gerar impactos negativos e excluir seus produtos da lista de preferência dos consumidores.

Principais vantagens de aplicar as Boas Práticas de Fabricação

Agora que sabemos quais são as ameaças da falta de BPF, veja como a implementação dessas práticas pode contribuir para o crescimento do seu negócio:

  • Melhoria da imagem e competitividade no mercado: uma empresa alinhada a esses pré-requisitos se preocupa com a segurança do alimento e toma medidas para a sua garantia, melhorando a imagem que a marca tem no mercado;
  • Melhor controle de parâmetros de processo e produto final: o controle de qualidade é mais efetivo quando envolve as operações, como práticas de inspeções, desde a matéria-prima até o produto acabado;
  • Produto com melhor qualidade, constante e mais seguro: é assegurada a padronização da cadeia produtiva, resultando na garantia da segurança sanitária do produto, uniformidade e diminuição de carga devolvida;
  • Aumento da vida útil dos insumos: facilita a detecção de não conformidades que estejam afetando a qualidade dos alimentos, reduzindo desperdícios e perdas;
  • Preservação da saúde dos funcionários: estabelece procedimentos de higiene fundamentais para a manipulação do alimento, como higienizar os recipientes e conservar os produtos, garantindo a segurança do alimento e também do funcionário;
  • Atendimentos das leis vigentes: a empresa fica livre de implicações e penalidades previstas na legislação;
  • Elevação dos resultados: todos os benefícios citados até aqui certamente farão com que as vendas aumentem, trazendo mais reconhecimento à sua marca no mercado. 

São muitos os ganhos, não é mesmo? Então, vamos falar a seguir sobre como dar início a um programa com esse foco na sua indústria!

BPF: por onde começar?

Vamos conferir abaixo um passo a passo para começar a incorporar as Boas Práticas de Fabricação aos processos da sua indústria alimentícia o quanto antes. 

1. Defina responsáveis

Formar um time de colaboradores que assumam atribuições relacionadas a essa frente de controle de segurança e qualidade é determinante para um planejamento eficaz. Essas pessoas devem se tornar responsáveis por papéis bem definidos ligados a:

  • revisão constante das rotinas;
  • fiscalização diária das operações;
  • providências de ajustes em casos de necessidade ou de não-conformidades.

Essa divisão da equipe também será incubida de participar da elaboração de um manual (que veremos nos próximos passos) e de treinamentos dos colegas sobre as regras a serem seguidas.

2. Faça um diagnóstico

Realizar um diagnóstico através de uma pré-auditoria com o uso de um checklist é essencial para levantar as condições higiênico-sanitárias do estabelecimento. Essa é a primeira tarefa do time de responsáveis pela missão das boas práticas!

O diagnóstico contribui para uma melhor tomada de decisão e define o roteiro geral para a elaboração do manual de Boas Práticas de Fabricação. Com ele, você terá uma visão clara, simples e precisa do que precisa ser realizado.

Como resultado da pré-auditoria, tem-se um relatório de não-conformidades para levantar as ações corretivas que devem ser adotadas a fim de adequar a empresa.


3. Elabore o seu Manual de Boas Práticas de Fabricação

Com a análise em mãos, você já pode iniciar o manual de Boas Práticas de Fabricação da sua indústria junto aos profissionais especializados selecionados para esse tipo de controle.

O documento deve descrever:

  • o detalhamento das operações ao longo da produção;
  • exigências para manipulação correta dos alimentos;
  • orientações para higienização dos equipamentos, dos colaboradores e do ambiente como um todo;
  • prescrições para o controle de vetores e pragas.

>> Saiba como produzir um bom manual de Boas Práticas de Fabricação!


4. Monitore as etapas e a aplicação

Depois de formalizar todos os registros do que deve ser feito, é extremamente necessário estipular mecanismos para aferir a execução de todas as medidas no dia a dia da fábrica

Essa comprovação pode ser feita com:

Analise bem o que pode se encaixar melhor à situação da sua empresa, lembrando-se de que a automação desse tipo de checagem pode agregar velocidade às correções e precisão de dados. É preciso considerar critérios como transparência, agilidade e praticidade para aprimorar sua operação.

Outro ponto fundamental é reunir um histórico dessas verificações!


5. Promova vistorias

Realizar vistorias internas com frequência é uma excelente maneira de manter a indústria preparada para auditorias de órgãos fiscalizadores. E, claro: esse é mais um processo que pode ser facilitado pelo uso da tecnologia

O histórico das operações — que citamos no tópico anterior — pode contribuir muito nessa etapa, tornando-a mais rápida e aumentando a precisão dos dados analisados


6. Atualize com frequência o manual 

Pensar em otimizações constantes é determinante para o êxito do controle de qualidade e segurança na indústria. Tanto a legislação quanto os processos da sua fábrica podem passar por mudanças.

Por essa razão, é recomendável prever revisões e atualizações do seu manual de Boas Práticas de Fabricação ao longo do tempo.

Por fim, temos uma dica final capaz de potencializar os ganhos das BPF na sua indústria!


Automatize a gestão das Boas Práticas de Fabricação

A transparência é capaz de potencializar a chance de escolha do consumidor por determinado fabricante. Segundo uma pesquisa da Deloitte sobre a percepção das pessoas acerca da indústria, 90% dos consumidores acreditam que as marcas não possuem essa característica.

Portanto, investir em meios de aperfeiçoar os processos e de externalizar o controle de qualidade ao público é uma opção que pode trazer excelentes resultados ao negócio! 45% das indústrias estão mirando nesse objetivo e priorizando a coleta de dados detalhados.

Inclua a sua indústria nesse grupo!

Para a realização das BPF,  é interessante que se mantenha um checklist para verificar o bom funcionamento das mesmas. Visando facilitar esse processo, você pode automatizar essa verificação por meio de sistemas e ferramentas de checklist especializados na cadeia produtiva de alimentos, como o CLICQ.

O CLICQ é uma solução que automatiza a gestão de processos de qualidade que pode ajudar o seu negócio na implementação das Boas Práticas de Fabricação. Entenda mais da solução neste vídeo de um minuto:


Se você se interessou e quer saber mais: Fale com um dos nossos especialistas.

Agora, se você quiser se aprofundar ainda mais em BPF, não perca esta indicação:

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