Indústria de alimentos: crescimento e tendências

A busca por alimentos de qualidade, sem adição de defensivos agrícolas, antibióticos, e livres de microrganismos prejudiciais à saúde não é algo recente. Já na década de 80, a popularização de embalagens e produtos descartáveis, somada ao crescimento da geração de resíduos, despertaram na sociedade o interesse quanto à necessidade de preservação ambiental.

Se quiser, escute o conteúdo na íntegra no player abaixo:

 

O consumidor se tornou, não apenas mais consciente, como também mais exigente, quando o assunto é segurança do alimento e do meio ambiente. O consumidor está dando mais atenção aos rótulos das embalagens, buscando saber mais sobre a origem do alimento que pretende comprar, como foi produzido, acompanhando mais de perto as atividades da sua marca favorita, e caso identifique alguma irregularidade ou disparidade entre propaganda e atividades realizadas, ele busca outra empresa que atenda suas necessidades. 

Temas como sustentabilidade e Boas Práticas de Fabricação, por exemplo, devem ser constantemente discutidos e aplicados dentro da indústria de alimentos, pois auxiliam produtores e agricultores no cumprimento das normas, no posicionamento perante a sociedade, e garantem seu crescimento no mercado, bem como sua permanência no mesmo.


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De acordo com a Organização das Nações Unidas para Alimentação e Agricultura (FAO), para atender a demanda populacional de 10 bilhões de habitantes em 2050, estimada por diversos órgãos internacionais, será preciso que a produção de alimentos cresça 61%. Dentro dessa porcentagem está o Brasil, cuja participação está estimada em 41% da produção de alimentos. 

Ou seja, será preciso produzir de 620 a 630 milhões de toneladas de alimentos por ano, e de acordo com o ex-ministro da Agricultura do Brasil e considerado pai da agricultura moderna brasileira, o Brasil é o único país que pode fazer isso. 

E como a indústria de alimentos pode se preparar para utilizar todo o nosso potencial e garantir produção com segurança e alimentos de qualidade? Continue a leitura para ver quais tendências você já aplica na sua produção, o que precisa reforçar, e o que ainda precisa aplicar. 

4 beneficios da automação do controle de qualidade de alimento - horizontal


De baixo para cima: amostragem do solo e análise da água

A amostragem do solo é o procedimento que mostra se o solo é fértil, se precisa de nutrientes, e quais nutrientes ele oferece para o desenvolvimento das culturas. Além disso, os processos de amostragem e análise do solo, auxiliam no entendimento quanto a baixas de nutrientes ao longo do processo produtivo, e demais alterações que o solo venha a sofrer. 

É preciso cuidar do solo da forma mais correta possível, pois o cuidado sem a orientação apropriada, como adubação (já vamos falar um pouco mais sobre ela) acarreta em disponibilidade desregulada de nutrientes, afeta o desenvolvimento das plantas, e acarreta em um custo maior para a produção. Com as ferramentas certas, seguindo à risca as orientações para coleta de amostragem, o produtor tem a garantia de um resultado seguro e preciso. 

Além do solo, a água merece grande atenção durante o processo produtivo. Segundo a FAO, cerca de 72% de toda água utilizada em território nacional é destinada para a produção agrícola, e dentro dessa pesquisa, a Embrapa constatou que 11% são destinados para irrigação. 

A respeito da origem da água, separei este texto para você: Análises de água para a indústria de alimentos

Outra forma de utilização da água se dá em processos de higienização de estruturas e processos de esfriamento e aquecimento. Dada sua capacidade de se associar a diversas substâncias, inclusive as prejudiciais à saúde humana, é preciso ter certeza de que a água utilizada seja de origem confiável, que sua captação tenha sido feita da forma correta, dentro das legislações vigentes para o tipo de utilização, mantendo atenção aos aspectos físicos, químicos e microbiológicos. 

Agora, lembra que eu falei sobre adubação sem a devida orientação? Pois bem, esse processo também está ligado à saúde da água e do solo. Como? Através da contaminação por meio de antibióticos. Muitos antibióticos, por não metabolizarem completamente no organismo dos animais tratados em criadouros, são eliminados através das fezes de vacas e galinhas, por exemplo, diretamente no solo. A partir daí, são carregados para córregos e rios, contaminam flora e fauna aquáticas, e as fezes, quando usadas para adubo sem antes serem analisadas, causam os impactos negativos citados anteriormente. 

O uso de antibióticos em animais é bastante comum, porém, deve-se ter atenção aos valores de ingestão diária aceitável (IDA) e aos limites máximos de resíduos (LMR), ao definir o tratamento e realizar as aplicações. 

Ter o apoio de um laboratório de análises de resíduos de contaminantes é importante, pois auxilia o produtor com resultados sobre a qualidade da água e do solo, a qualidade dos defensivos agrícolas e também dos antibióticos aplicados nos animais, e o ajuda no cumprimento das legislações e limites máximos permitidos. 

A Agrosafety, laboratório de análises de resíduos de contaminantes químicos, e nossa parceira, realiza análises de alimentos, ambientais, como potabilidade de água, e valida a qualidade de defensivos e medicamentos veterinários, através de análises com metodologias validadas sob rigorosos controles de qualidade, em conformidade com as Boas Práticas de Laboratório. 

Fale com a equipe de especialistas da Agrosafety e saiba como funcionam as análises, e garanta mais qualidade para a sua produção. 

Porém, água e solo e todos estes cuidados, são parte de um grande processo, que deve continuar dentro da indústria. Como está a sua gestão de qualidade? 

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Indústria de alimentos e o Controle de qualidade 

Ofertar um produto de qualidade é uma tendência que nunca sai de moda. Além de produtos livres de defensivos agrícolas, resíduos de contaminantes químicos, metais pesados e microrganismos prejudiciais à saúde humana, a qualidade do produto ou serviço oferecido pela indústria está relacionada com a satisfação do cliente. 

A ISO 9000:2015 define qualidade como grau em que um conjunto de características inerentes de um objeto satisfaz requisitos, e um exemplo prático é o da Trevo Lácteos, que, com as mudanças de hábito dos consumidores devido a pandemia da Covid-19, realizou mudanças em seus produtos, aumentando o tamanho das embalagens de seus produtos para atender ao consumo coletivo dos consumidores, e trabalhando em alimentos mais saudáveis, com menor adição de açúcar, o que possibilitou que alcançassem um maior número de clientes. 

E para atender as expectativas e necessidades do cliente, a ISO 9000:2015 descreve oito princípios da Gestão da Qualidade, que são:


Foco no cliente

A mudança nos tamanhos das embalagens para o consumo coletivo, e os produtos de maior saudabilidade, foram ações que a Trevo Lácteos realizou, pensando no cliente e em sua satisfação. 


Liderança

O principal objetivo da liderança é direcionar a organização, alinhar as estratégias, políticas, e os recursos que serão utilizados para que se possa alcançar o objetivo. Também é objetivo da liderança:


Engajamento das pessoas

O terceiro princípio se trata não apenas do engajamento do setor de Qualidade da empresa, mas no engajamento dos outros setores através dos resultados alcançados com a aplicação de práticas de qualidade. Isso incentiva a todos a utilizar as ferramentas adequadas, e padronizar processos de qualidade na empresa. 


Abordagem de processos

Ao engajar os colaboradores, fica mais fácil definir os processos que serão realizados. Uma equipe engajada se interessa pelo processo, procura sempre entender como ele funciona, e quais os benefícios para o setor, e torna fácil o próximo princípio. 


Tomada de decisão baseada em evidências

Uma equipe bem engajada trabalha unida, e monitora processos unida. É dever de toda a equipe acompanhar os números das ações realizadas para ver onde existem falhas no processo, e como corrigi-las a tempo, sempre com base em evidências concretas, levando ao penúltimo princípio citado na ISO 9000:2015. 


Melhoria Contínua

Com todos os pontos acima avaliados e definidos, fica mais fácil enxergar os pontos de melhoria presentes no processo. Se a sua empresa tem uma liderança que trabalha com foco no cliente, engajando os times, padronizando os processos, com decisões baseadas em evidências. Aplicar os princípios da Gestão da Qualidade dentro da indústria de alimentos auxilia todos os envolvidos no processo produtivo a se fortalecerem no mercado, e entregar produtos de qualidade e segurança para a população. E aí, chegamos ao último princípio. 


Gestão de relacionamentos

O profissional de gestão é o ponto focal dentro dos princípios. É essa pessoa quem irá liderar e engajar a equipe, para que o trabalho seja realizado com foco no cliente, e garantir que as ações de melhoria sejam tomadas com base nas evidências. 

Para ler mais sobre controle de qualidade na indústria de alimentos, separei estes dois textos pra você ler mais tarde:

Mas, como disse no começo deste texto, será preciso produzir de 620 a 630 milhões de toneladas de alimentos por ano. E produzir mais tem várias implicações. Vejamos algumas delas. 

Crescimento e tendências: o desafio da indústria de alimentos

Para produzir as toneladas de alimentos mencionadas, a indústria precisará aumentar sua produção em cerca de 2,4 vezes mais que o valor atual. Todo esse crescimento implica em mais comida, mas também em maiores gastos de energia, maior geração de resíduos, o que afeta água e solo, e também, produzir mais significa um maior desperdício de alimentos. 

Dados da FAO mostram que a quantidade de alimentos desperdiçados serviria para alimentar 2 bilhões de pessoas. Ao evitar o desperdício de alimentos, a indústria garante uma boa relação com a comunidade na qual a empresa está inserida, além da possibilidade de inovar, ao criar novas receitas, e assim, oferecer mais opções para a população e expandir sua presença no mercado, garantindo a permanência. 

Conservar a biodiversidade, gerir de forma adequada os recursos hídricos e diminuir o desmatamento são alguns dos pontos abordados pelo padrão ESG. A utilização de defensivos agrícolas nas plantações é grande e segue crescendo, com aumento de 12,3% (113,3 mil toneladas) nas áreas tratadas, em comparação com 2020. É preciso que haja o gerenciamento adequado destes recursos químicos, a fim de preservar a fauna e flora como um todo. 

Se ainda não conhece o padrão ESG, deixo um texto que aborda os três pilares Ambientais, Sociais e de Governança, e como aplicá-los em sua indústria. Basta clicar aqui.

Atualmente, a realidade do setor agroalimentar é mais ágil e dinâmica que antes, e permite a tomada de decisões com mais rapidez e eficiência. Um exemplo é a solução de descarte de embalagens de defensivos agrícolas, quando, antigamente, se fazia o descarte diretamente no solo e que, se tivesse continuado, hoje não teríamos o cenário que temos. 

A logística reversa, orientada pelo Instituto Nacional de Processamento de Embalagens Vazias (inpEV), mudou essa realidade e otimizou a vida do produtor rural, e garantiu a proteção do solo e de corpos hídricos. 

Outro ponto é que, para enfrentar este desafio, é importante aliar seu negócio à tecnologia. Existem agrotechs (startups voltadas para o agronegócio), que solucionam problemas através de ideias inovadoras, específicas para o setor agroalimentar. Estes profissionais acompanham diariamente as tendências da indústria de alimentos, e é com base nelas que criam soluções que facilitam o processo produtivo, em busca de otimizar o processo produtivo, para que seja alcançado um único objetivo: produzir de forma sustentável e segura. 

Inovações como big data, drones e agricultura de precisão, equipamentos autônomos e inteligência artificial, além de softwares de automação de processos, são tendências já presentes no setor agroalimentar, e que ajudam diversas empresas a garantir processos mais precisos, que irão auxiliar os profissionais nas tomadas de decisões. 

Nós temos um grande desafio pela frente, e quanto mais ágeis, engajados e focados em levar melhores soluções para a população nós estivermos, nosso futuro será cheio de alimentos saudáveis, diversos, e seguros. 

E aí, quais tendências a sua empresa segue? E quais precisa passar a seguir? 

Até a próxima! 

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