ESG no setor agroalimentar: o que você precisa saber

Você já deve ter se deparado com a sigla ESG (Environmental, Social and Governance). Se você quer entender o que ela quer dizer e o seu impacto no setor agroalimentar, você está no lugar certo!

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Dada a importância do setor agroalimentar para o Brasil, vemos um aumento de iniciativas sendo formadas para que o setor cresça e se desenvolva de forma contínua e sustentável.

Além de que, no país, esse setor tem uma grande participação de exportação dos seus produtos, o que nos leva a uma demanda de controles mais rigorosos de processos produtivos.

Em 2020, alguns frigoríficos exportadores de carne foram cobrados para manter o controle registrado de todos os bovinos comprados. Isso para garantir que o animal não tivesse origem em uma área de desmatamento, prezando o meio ambiente e a sustentabilidade, fazendo com que a rastreabilidade de alimentos se tornasse uma prática para essas empresas.

O cenário de organizações que se preocupam com os pilares do ESG para a realização de negócios já é uma prática atual. Um evento importante que mudou a ótica do investimento em empresas que se importam com a sustentabilidade foi, em 2020, quando a maior empresa de investimentos do mundo, BlackRock, anunciou que não faria mais negócios com empresas que não atendessem aos critérios ESG e que colocaria em prática os investimentos sustentáveis.

Assim como o grupo Business Roundtable, associação de diretores executivos das principais empresas da América do Norte, que divulgou uma carta questionando a ideia de que os negócios existem para dar retorno aos acionistas, argumentando que as empresas são agentes de transformação social, estabelecidas com o propósito de gerar valor para todas as partes interessadas.

Outra iniciativa que mostra a importância dos princípios do ESG é o Guia Melhores do ESG, realizado pela Revista EXAME, onde 17 empresas brasileiras foram premiadas.

Além, é claro, da mudança do olhar do consumidor para o que estão consumindo. Muitos estão mais atentos ao que a marca está fazendo, como ela se posiciona no mercado, o que ela faz para colaborar com o meio ambiente, como ela é vista por seus funcionários. Prezando sempre pela transparência nos seus atos. E todas essas questões estão relacionadas com as práticas do ESG. 

Como podemos ver, em um cenário global, as práticas de ESG vieram para ficar, e estamos aqui para te ajudar a entender mais sobre o tema.

Neste post você verá:

Veja mais conteúdo sobre Rastreabilidade de Alimentos no nosso blog:

- Decreto nº 10.468: o que a indústria de alimentos precisa saber.

 

 

Primeiramente, o que quer dizer a sigla ESG

 

Do inglês, Environmental, Social and Governance, em português podemos encontrar como, ASG, Ambiental, Social e Governança.

A sigla traz três pilares que são um conjunto de práticas que devem ter a sua visibilidade e sua importância dentro de todas as empresas, não apenas no agro. 

As temáticas de cada pilar são recomendações da Sustainability Accounting Standards Board (SASB), organização sem fins lucrativos que desenvolve padrões de contabilidade de sustentabilidade, com a missão de estabelecer padrões de divulgação específicos do setor em tópicos ESG, que facilitem a comunicação entre empresas e investidores sobre informações financeiras relevantes e úteis para decisões.

Porém, o termo foi apresentado em 2004 em uma publicação do Pacto Global em parceria com o Banco Mundial, chamada Who Cares Wins. Esses critérios estão totalmente relacionados aos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS) da ONU.

Pilares do ESG

Ambiental

O pilar Ambiental traz pontos de como uma empresa pode reduzir o impacto ambiental que ela gera:

  • Diminuição da emissões de Gases de Efeito Estufa (GEE)

Busca diminuir a emissão de gases como: Dióxido de Carbono (CO2), Metano (CH4) e Óxido Nitroso (N2O), que fazem a temperatura média terrestre subir, implicando também no controle do aquecimento global.

  • Gestão de Resíduos

Conjunto de procedimentos e ações que visam otimizar etapas de armazenamento, coleta, tratamento, transporte, destinação e disposição final dos resíduos produzidos por processos industriais.

  • Gestão de Energia

Busca por métodos mais sustentáveis e menos poluentes de energia.

  • Diminuição do Desmatamento

Visa práticas sustentáveis e necessárias para conter o desmatamento.

  • Conservação do Solo

Conjunto de princípios e técnicas agrícolas que visam o manejo correto das terras cultiváveis, evitando a erosão em todas suas formas.

  • Gestão de Recursos Hídricos

Procura cuidar da origem e destino dos recursos hídricos utilizados na produção do alimento.

  • Conservação da Biodiversidade

Assegurar a diversidade de organismos vivos, incluindo os ecossistemas terrestres e aquáticos.

Social

No Social, as temática tratam pontos a respeito do capital social da empresa, com iniciativas de bem-estar de profissionais e fornecedores,  como:

  • Direitos Humanos

Conhecer e respeitar os Direitos Humanos.

  • Relações com a Comunidade

Respeitar a comunidade em que estamos inseridos.

  • Privacidade do Cliente e Segurança de Dados

Prezar pela privacidade dos dados dos seus clientes e colaboradores, respeitando leis como a Lei Geral de Proteção de Dados Pessoais (LGPD).

  • Acesso e Acessibilidade

Pensar nas condições para utilização, com segurança e autonomia, total ou assistida, de todos.

  • Igualdade de Gêneros.

Ambiente livre de preconceitos e discriminações.

Governança

Já a Governança traz pontos de melhores prática de gestão e ética empresarial, como:

  • Comportamento Competitivo

Busca pela melhoria contínua visando melhores resultados.

  • Gestão do Jurídico e Ambiente Regulatório

Ambiente que concilie a saúde econômico-financeira das empresas com as expectativas e exigências do mercado.

  • Gestão sistêmica de riscos

Gestão de riscos e compliance.

  • Transparência

Acessibilidade às informações institucionais referentes a assuntos que afetem seus interesses (stakeholders). 

Em resumo, os três pilares do ESG fazem as empresas pararem e analisarem qual o impacto das mesmas para o planeta. O que ela contribuiu para a comunidade em que vive e como é conduzido os seus negócios.

Motivos para implementar o ESG no setor Agroalimentar

Segundo uma pesquisa da Associação Brasileira do Agronegócio (Abag) sobre Inovação e Competitividade do Agronegócio, feita em 2020, foram destacados pontos dos principais desafios para a competitividade do agronegócio, em primeiro lugar, veio a infraestrutura do país e em segundo lugar, a governança e gestão.

Além disso, como já mencionado, a exportação de produtos do Agro no Brasil tem uma grande relevância na balança comercial do país. Com isso, tem-se a grande responsabilidade de entregar produtos seguros e de qualidade para os importadores

Ter boas práticas bem estabelecidas, como o ESG, é essencial para a negociação, para demonstrar que a empresa exportadora se importa tanto com os padrões mundiais, quanto com os padrões estabelecidos pela própria importadora.

Outro fator que é muito falado e muito relevante para a implementação do ESG é para conseguir acesso a investimentos. Investidores estão de olho nas empresas que prezam por todos os pontos do ESG, porque sabem que essas empresas vão prosperar no mercado.

Uma pesquisa apresentada pela PwC Brasil, mostra que 47% dos respondentes afirmam que o acesso às informações de ESG é tão importante quanto às informações financeiras da empresa.

Ou seja, por enquanto, podemos tratar o ESG como um diferencial, mas em breve ter as boas práticas implementadas será essencial como já é para a BlackRock.

Iniciando a implementação

Bom, acredito que agora você já tenha compreendido a  importância e a visibilidade que a implementação das práticas ESG trará na sua empresa agroalimentar.

Mas, você pode estar se perguntando como demonstrar para clientes e investidores que essas práticas estão sendo bem seguidas pela sua empresa.

Para que isso aconteça, devem haver práticas de monitoramento em todos os processos da sua empresa. Desde a compra ou a produção do alimento, lá no campo, até registros dos processos da gestão da qualidade dos seus produtos e processos. Ou seja, um monitoramento das origens e insumos das origens. Assim, o cliente saberá todo o caminho que o produto percorreu e terá acesso a documentação de históricos e registros da sua empresa.

Desta maneira, para uma implementação eficiente dessas boas práticas, você pode começar a focar na transparência de todos os seus processos e estabelecer o rastreamento e registros de todas as suas ações.

Construa políticas internas para te auxiliar e dar um norte a você e aos seus colaboradores para buscar as melhores práticas dentro da sua empresa. Entenda quais são as causas que você quer se posicionar e se atente a elas.

Audite seus fornecedores para ver se eles também estão de acordo com as suas necessidades. E esteja pronto para também ser auditado, quando necessário, com todos os registros e históricos que comprovem que você está atento às boas práticas do ESG.

Uma boa estratégia para isso é utilizar a tecnologia a seu favor, com softwares que armazenam seus históricos de compras e transações. Assim como, aplicar métodos de rastreabilidade dentro do seu negócio.

Saiba aqui tudo sobre a Rastreabilidade de Alimentos e como ela pode ajudar o seu estabelecimento na busca pela transparência de processos.

Bom, espero que você tenha percebido a importância da temática e como os pilares do ESG podem ser uma grande oportunidade para melhoria de processos agropecuários do Brasil e para o seu negócio.

Até breve! 💙